champanhe morno, cigarreira cheia, meia luz e billie holiday é tudo que eu preciso agora.
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tire o seu piercing do caminho
que eu quero passar
com a minha dor.
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o poema não é lugar pros esvaziados, é espaço de arquitetura sonhada, falseada, inchada, cheia.
e olhem! eu sou novo, e sou forte e eu poderia. mas eu me sinto velho e cansado e incapaz. exaurido! eu fui futucado e incomodado e perturbado por não sei quantos fantasmas e quantos falantes cheios de vontades e de intenções que eu, do alto da minha inocência e alienação, desconhecia ou ignorava. remexido, cutucado, abrasado, é só fumaça, não há mais fogo. eu, de novo, à mercê de um desejo quieto, preguiçoso, escondido – que fraqueja, mas existe ali, e tu sabe, onde quer que tu esteja. ah… e naqueles dias tu costumava dizer que o meu tempo por perto era uma espécie de brincadeira, que eu só estava me divertindo e gargalhando, que era só mais período de incubação, de preparo, de espera, Deus!, de espera para quando eu realmente eclodisse numa ecdise putamente caleidoscópica! e agora eu me vejo aqui, surgindo, glorioso e paciencioso, mediado e inédito. mas tu não tens noção, noção nenhuma, de como é se sentir completamente isolado, sozinho (porque jamais estivesse…), na tua própria casca, na tua própria casa, com a merda do telefone quieto, na mudez mais absoluta, no quarto, no mais íntimo do quarto, com a mãe do desanimado Escuro, e Ele por tudo, por tudo, e as mãos na cabeça!
eu não preciso fingir, eu não vou encarar o devir esperto, perspicaz, eu não vou mais dizer que ‘tá tudo bem’ pra ti! quando tudo que eu queria era ter feito essa porra direito, ter alcançado uma verdade qualquer, que se esquecesse e se diluísse no ‘lack of importance’! era ter feito tudo verdadeiramente, pra ti, contigo, onde quer que tu estivesse. eu não sei mais, eu não sei onde, porque tu fosse embora assim, num susto! seu merda! seu grande merda!