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Tô estudando. É isso. “Louca, porém erudita” disse dia desses um amigo meu. Eu achei engraçado, ele também, rimos, “ha-ha”, que lindo e por aí vai. É verdade – você enlouquece quando estuda filosofia; eles te mantém num estado de paranóia induzida. É necessário, do contrário você não decola nessa inútil trajetória. Lacan, num texto apresentado em um dos seus famosos seminários, dispende algumas linhas falando sobre o estranho e maníaco processo filosófico. É um bom texto, “A agressividade em psicanálise” se chama, eu acho.
A filosofia morreu, só se trabalha com lógica e história da filosofia. Fora isso ela virou o necrológio, mortuário, cemitério – e nós, alguns mais necromantes que outros, estamos ali, dançando lindamente sobre os ataúdes aristotelicamente selados e as catacumbas kantianas. Ficamos com as acrobacias lingüísticas, as balacas analíticas, as afetações literárias e as muitas e enriquecedoras leituras 1/2. E o mais divertido (rufem os tambores, levantem as cortinas, eis a pièce de resistence) a mentirinha inconsciente. No diminutivo porque dá vazão cômica à virulência característica que a constituí. Ela se esgueira no teu discurso, fazendo com que tu engendre as mais estapafúrdias proposições. E a reviravolta: ela convence bem, muito bem, seja você, seja o que te escuta. E a gente vai levando, como diria o velho.